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QUEM é O NOSSO PRóXIMO?

QUEM é O NOSSO PRóXIMO?

Escrito por | 20/10/2016

O capítulo 10 do evangelho de Lucas, a partir do versículo 25, registra uma interessante conversa entre Jesus e um mestre da Lei. Nela o homem quer saber o que deve fazer para herdar a vida eterna. Jesus devolve a questão com outra pergunta: - “O que dizem as Escrituras Sagradas a respeito disso e o que você entende que elas dizem?”. A resposta é bem conhecida: - “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame a seu próximo como você ama a si mesmo”. Jesus afirma que a resposta está correta e acrescenta: - “Faça isso e você viverá”. (Simples assim!) Mas o homem, querendo achar uma desculpa, pergunta: - “Mas quem é o meu próximo?”. Em resposta, Jesus conta a parábola do bom samaritano que pode ser lida a partir do versículo 30 do capítulo 10 do evangelho de Lucas. Aqui há dois aspectos interessantes a respeito dos quais gostaria de refletir: 1. Jesus pergunta ao homem sobre o que está escrito nas Escrituras e como ele entende o que está escrito. 2. Após a resposta de Jesus, o homem que havia entendido corretamente o que estava escrito, procura justificar seu comportamento que, obviamente, não estava de acordo com os ensinamentos das Escrituras. Parece-me que ainda agimos assim como o mestre da Lei do registro do evangelista. As redes sociais parecem ser um termômetro importante do sentimento e do pensamento das pessoas em nosso tempo. Obviamente, há que se considerar que elas funcionam segundo alguns algoritmos que fazem aparecer na tela do internauta as publicações semelhantes aos conteúdos por ele compartilhados, curtidos e comentados. Isso, naturalmente, gera uma percepção distorcida da realidade. Mas, apesar disso, consideremos o seguinte: Você certamente se lembra do mote: “somos todos Charlie”, certo? Talvez você mesmo tenha publicado uma selfie ou imagem com essa frase. Esse terrível episódio, que matou 12 pessoas, abalou o mundo em 07 de janeiro do ano passado. Causou manifestações ao redor do mundo e provocou, inclusive, uma passeata em Paris, no domingo 11 de janeiro, que mobilizou mais de 1 milhão de pessoas, incluindo chefes de estado como o presidente François Hollande além de seu antecessor, Nicolas Sarkozy. Ao lado do presidente, participaram a chanceler alemã, Angela Merkel; os chefes de governo italiano, Matteo Renzi; espanhol, Mariano Rajoy; e britânico, David Cameron. O chanceler russo, Serguei Lavrov; e os primeiros-ministros israelense, Benjamin Netanyahu; e turco, Ahmed Davutoglu; e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmmud Abbas, também participaram, entre outros. Eles fizeram um minuto de silêncio. Na mesma semana, em 03 de janeiro, o Boko Haram realizou uma série de ataques a pequenas cidades do interior da Nigéria, matando mais de 2000 pessoas. Os que não foram mortos a tiros, que se refugiaram em suas casas foram queimados vivos, outros morreram afogados tentando chegar a nado no país vizinho pelo Lago Chade. Os que conseguiram sobreviver ficaram isolados sem comida e inacessíveis em Kangala, uma ilha infestada de mosquitos no meio do lago. Nenhum dos líderes mundiais que deram os braços em solidariedade às vítimas de Paris se pronunciou sobre o massacre de duas mil mortes na Nigéria – nem mesmo o presidente do país, que na ocasião estava na festa de casamento de sua filha. Em setembro do ano passado, o mundo precisou da foto de um garoto sírio morto para se comover com a tragédia dos refugiados na Europa. A ONU estima que sejam 60 milhões. Há muito tempo fotos dessa catástrofe inundam as agências de notícias, mas o mundo permanece indiferente ao sofrimento dessas pessoas que procuram apenas sobreviver. A foto do pequeno Aylan ‘abriu’ os olhos do mundo para essa tragédia. Na última semana, o Furacão Mathew matou cerca de 1000 pessoas no Haiti e o número de mortos continua crescendo devido ao crescimento dos casos de cólera em virtude da contaminação das águas. As notícias a respeito já não aparecem nos telejornais. Onde estão os “somos todos Nigéria”, “somos todos Haiti”, “somos todos Refugiados”? Será que, assim como o homem da conversa com Jesus e os personagens da parábola do bom samaritano, preferimos escolher quem é o nosso próximo? Temos, ao menos, intercedido por essas vítimas em nossos cultos e devocionais diárias? Ou temos nos lembrado apenas dos problemas que afetam nossa vida cotidiana? Será que até mesmo nossa solidariedade é seletiva e preconceituosa? Que Deus tenha misericórdia de nós e nos transforme no poder de seu Espírito Santo a fim de compreendermos e praticarmos as Escrituras, segundo a sua soberana vontade. Presbrª Eleni R. M. Rangel (A nossa irmã Presbrª Eleni, é Presbítera em atividade na 3ª IPI de Santo André. Agradecemos a atenção e disposição de nossa irmã, por aceitar o convite e produzir esse artigo para reflexão. Deus a abençoe).


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